Trauma bonding: quando um vínculo se mantém mesmo sendo doloroso
Explorando o trauma bonding
O fenômeno do trauma bonding pode parecer paradoxal: pessoas permanecem ligadas emocionalmente em relações prejudiciais. Neste contexto, o trauma bonding surge, quando as vítimas criam fortes laços emocionais com seus agressores. Este artigo busca explicar como padrões de abuso e recompensas intermitentes podem manter esses vínculos dolorosos. Duas características principais do trauma bonding incluem a desigualdade de poder entre as partes e a alternância entre recompensa e punição. Esta dinâmica pode surgir em diversos tipos de relacionamentos, como entre parceiros românticos, amigos, familiares e até em contextos de exploração mais severos.
Entendendo a dinâmica complexa
Para entender o trauma bonding, é crucial analisar como esses laços se formam. A alternância entre momentos de ternura e episódios de abuso cria um ciclo de dependência emocional. É como se a vítima estivesse sempre à espera da próxima dose de carinho, presa na esperança de que as coisas melhorem. Um exemplo clínico ajuda a ilustrar: Maria, que sofria violência psicológica de sua parceira, justificava o comportamento abusivo e se culpa pelas agressões. Ela alimentava a esperança de que tudo seria como nos primeiros momentos da relação, quando tudo parecia perfeito. Este ciclo prende Maria em um estado contínuo de confusão e aflição emocional.
Refletindo sobre o trauma bonding
Refletir sobre o trauma bonding nos leva a entender a complexidade dos laços emocionais em relações abusivas. Não se trata apenas de uma questão de fraqueza ou dependência emocional da vítima, mas de um sistema de controle coercitivo que perpetua o domínio do agressor. Este vínculo pode parecer impossível de romper porque toca nas expectativas emocionais mais profundas da vítima. Para quem observa de fora, pode ser difícil entender por que alguém não simplesmente ‘parte’ de uma relação assim. Porém, a realidade é que o trauma bonding manipula a percepção da vítima sobre amor e apego. Ela sente-se presa em um ciclo de altos e baixos que dificulta a busca por ajuda ou mesmo o reconhecimento do padrão abusivo.
Conclusão
Compreender o trauma bonding permite que profissionais e vítimas enxerguem a complexidade dessas relações. É crucial construir redes de apoio e fomentar debates saudáveis sobre saúde mental e reconhecimento de sinais de abuso. Se você ou alguém que conhece vive uma situação semelhante, é fundamental buscar orientação e apoio psicológico adequado. Nunca é tarde para iniciar um processo de autoconhecimento e libertação de vínculos opressivos. Considere procurar ajuda de um profissional de saúde mental capacitado que possa auxiliar nesse processo de maneira ética e empática.
Referências
DUTTON, D.; PAINTER, S. Traumatic bonding: The development of emotional attachments in abused children and adults. Nova York: Guilford Press, 1993.
LESIAK, M.; GELSTHORPE, L. Weaponised attachment: Understanding victim–perpetrator attachment in the context of inter-personal violence. Cambridge: Cambridge University Press, 2025.
VAN DER KOLK, B. A. The Body Keeps the Score: Brain, Mind, and Body in the Healing of Trauma. Nova York: Viking, 2014.




